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120 ANOS DE HISTÓRIA: DO NASCIMENTO DA CBTE ÀS MEDALHAS OLÍMPICAS DO BRASIL

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Neste sábado, 5 de setembro, a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE) completa 120 anos. Mais do que celebrar uma data histórica, o aniversário da entidade é uma oportunidade para revisitar uma trajetória que se confunde com a própria história do Tiro Esportivo no Brasil, e com alguns dos capítulos mais importantes do esporte olímpico nacional.

A história começou oficialmente em 5 de setembro de 1906, com a criação da Confederação do Tiro Brasileiro (CTB), por meio do Decreto Legislativo nº 1.503. A entidade, que passou por diferentes denominações e reestruturações ao longo das décadas, deu origem à atual Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), responsável pela organização e pelo desenvolvimento da modalidade no país.

Mas as raízes do Tiro Esportivo brasileiro são ainda mais antigas. A prática ganhou força no país a partir do século XIX, especialmente nas regiões Sul, com a chegada de imigrantes alemães, italianos e suíços. As Sociedades de Tiro criadas por essas comunidades tornaram-se espaços de convivência, competições e preservação de tradições, contribuindo para a formação da cultura do tiro no Brasil.

Com o passar dos anos, a prática foi se organizando e adquirindo características esportivas. A atuação do Exército Brasileiro também teve papel importante nesse processo, com a criação dos Tiros de Guerra e o desenvolvimento de estruturas voltadas à prática do tiro.

Antuérpia 1920: o começo da história olímpica nacional

Quatorze anos depois da criação da Confederação do Tiro Brasileiro, o Tiro Esportivo escreveria uma das páginas mais importantes do esporte nacional. Nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, na Bélgica, em 1920, o Brasil conquistou suas três primeiras medalhas olímpicas, todas no Tiro Esportivo.

A primeira veio no dia 2 de agosto. Afrânio da Costa conquistou a medalha de prata na Pistola Livre 50 metros e entrou para a história como o primeiro atleta brasileiro a subir ao pódio olímpico. No mesmo dia, a equipe brasileira formada por Afrânio da Costa, Guilherme Paraense, Dario Barbosa, Fernando Soledade e Sebastião Wolf conquistou a medalha de bronze na disputa por equipes.

No dia seguinte, 3 de agosto, veio o momento que se tornaria um dos maiores símbolos da história olímpica brasileira. O tenente Guilherme Paraense conquistou a medalha de ouro na Pistola de Tiro Rápido 25 metros, garantindo ao Brasil seu primeiro título olímpico.

Guilherme Paraense

A participação brasileira em Antuérpia foi marcada também por dificuldades. Durante a viagem e a chegada à Europa, a equipe enfrentou problemas de estrutura e teve parte de seus equipamentos roubados. O grupo chegou a contar com o empréstimo de armas da equipe norte-americana para poder competir. Mesmo diante das adversidades, os atletas brasileiros fizeram história. A verdade é que aquele desempenho estabeleceu uma marca que atravessaria gerações: as três primeiras medalhas olímpicas conquistadas pelo Brasil pertenciam ao Tiro Esportivo.

Uma história construída ao longo de gerações

Depois de Antuérpia, a organização do Tiro Esportivo brasileiro passou por diferentes fases. Em 1923, a entidade máxima do esporte passou a se chamar Federação Brasileira de Tiro (FBT), iniciativa que teve entre seus protagonistas o próprio Afrânio da Costa. O Brasil filiou-se à então União Internacional de Tiro (UIT), hoje ISSF, em 1924.

Em 1947, a FBT transformou-se na Confederação Brasileira de Tiro ao Alvo (CBTA), presidida por Afrânio Costa entre 1947 e 1962. Em 1994, adotou o nome de  Confederação Brasileira de Tiro e, posteriormente, de Confederação Brasileira de Tiro Esportivo (CBTE), utilizado oficialmente desde 1999. Vale ressaltar que, embora tenha passado por diferentes denominações ao longo de sua história, trata-se da mesma entidade que, desde sua criação, vem representando e organizando o Tiro Esportivo brasileiro.

Nesse percurso, a modalidade se expandiu, novas gerações de atletas surgiram e o esporte passou a contar com diferentes disciplinas, competições nacionais e participação cada vez mais estruturada no cenário internacional. A memória de 1920, entretanto, permaneceu como parte fundamental dessa trajetória.

Rio 2016: 96 anos depois, o retorno ao pódio

Foi preciso esperar 96 anos para que o Tiro Esportivo brasileiro voltasse a conquistar uma medalha olímpica. E o reencontro com o pódio aconteceu justamente em casa. Nos Jogos Olímpicos Rio 2016, no dia 6 de agosto, Felipe Wu conquistou a medalha de prata na Pistola de Ar 10 metros Masculino. A conquista aconteceu no Centro Militar de Tiro Esportivo, em Deodoro, e marcou o retorno do Brasil ao pódio olímpico na modalidade desde as medalhas conquistadas em Antuérpia.

A prata de Felipe Wu também teve um significado especial: foi a primeira medalha conquistada pelo Brasil nos Jogos Rio 2016. Durante a sexta edição da Shot Fair Brasil, no último mês de julho, em São Paulo, Felipe Wu falou sobre sua felicidade em fazer parte da história desses 120 anos da Confederação.

“Sou associado desde 2001, se não me engano, eu tinha 9 anos de idade. A minha vida cresceu em torno da CBTE, das minhas participações nas provas. É bom ver como a CBTE tem se desenvolvido, o Tiro Esportivo tem se profissionalizado. A gente tem tido participações cada vez mais relevantes representando o nosso país. Para os próximos 120 anos, desejo que a gente consiga se fortalecer e cada vez mais ter atletas com a mesma felicidade que eu tive de representar bem o nosso país e, de Deus quiser, alcançar mais medalhas olímpicas”, disse.

Entre Guilherme Paraense, em 1920, e Felipe Wu, em 2016, passaram-se quase dez décadas de transformações no esporte, mas permaneceu o mesmo princípio que acompanha o Tiro Esportivo desde suas origens: precisão, disciplina, concentração e busca permanente pela excelência.

120 anos olhando para o futuro

Celebrar os 120 anos é, portanto, reconhecer aqueles que ajudaram a construir esse caminho, dos pioneiros das Sociedades de Tiro aos atletas que representaram o Brasil nos grandes palcos internacionais. É também olhar para as novas gerações e para o futuro.

A mesma modalidade que levou Afrânio da Costa, Guilherme Paraense e seus companheiros ao pódio olímpico em 1920 e que reencontrou a medalha com Felipe Wu, em 2016, continua formando atletas, promovendo competições e buscando novos capítulos para uma história que segue em movimento.

Hussein Daruich, representante brasileiro da nova geração da Fossa Olímpica

 

 

 

 

 

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